Três recursos de grandes letristas brasileiros

Três recursos de grandes letristas brasileiros

Gostaria de compartilhar com vocês três recursos muito usados por grandes letristas brasileiros. Essas ideias podem ser usadas separadamente ou todas ao mesmo tempo, cabe a você decidir. São elas:

1) Transformar maus momentos em letras de músicas poderosas;
2) Pensar em alguém específico e mandar uma mensagem pra ele/ela ou eles.
3) Criar um narrador imaginário ou colocar-se no lugar do outro para compor a música.

Por mais simples que possam parecer, esses recursos podem fazer toda a diferença na hora de escrever seu grande hit.

1. Transformar maus momentos em letras de músicas poderosas

Já foi vítima de preconceito, de injustiça ou de maus-tratos? Aquele nó na garganta pode virar uma letra impactante. Narrar um episódio que machucou pode funcionar como desabafo e tende a criar um laço forte de empatia entre as pessoas. Afinal, quem nunca passou por alguma dessas coisas? Talvez por isso a Sofrência seja um estilo tão popular: quem nunca sofreu por amor?

Por mais dolorosa que tenha sido a experiencia lembre-se de que relembrá-la pode ter resultados positivos. Aqui vão dois passos pra transformar um mal momento numa letra poderosa:

Primeiro, escreva num papel exatamente o que aconteceu, naquele estilo “brainstorm” que mencionei no ultimo post Duas dicas pra compor mais e melhor. Deixe vir à tona toda a raiva ou tristeza. Conte o acontecido, sem se preocupar com rimas por enquanto.

Feito isso, crie um final diferente para a situação que você viveu. Já reparou que nessas situações difíceis a gente nunca pensa na coisa certa a dizer ou a fazer e só o faz quando o episódio já passou? Bom, aqui você tem voz e essa é a melhor parte do processo. Vale humor, sarcasmo, vale ser irônico e até uma pitada de crueldade. O objetivo é lavar a alma. “Inquilina de violeiro” de Antonio Borges de Alvarenga, Aparecido Tomaz de Oliveira e Joao Aparecido Goncalves é um excelente exemplo disso. Um trechinho pra aguçar sua curiosidade:

“Um rapaz com sua viola, vem chegando do interior
Com chapéu de boiadeiro e trajes de lavrador
Em um prédio de São Paulo, entrou no elevador
Também entrou uma moça igual um botão de flor
Achando a moça tão bela o rapaz falou pra ela
Quero ser o seu amor, ai, ai!!”

2. Pensar em alguém específico e mandar uma mensagem pra ela/ele ou eles.

Lembra-se de Infiel de Marília Mendonça e Evidências de Chitãozinho e Xororó? O que esses clássicos tem em comum? Todas são uma mensagem direcionada a alguém específico, mas acabam falando com- ou por- cada um de nós.

Quantas canções não são diálogos com um garçom imaginário? Quantas canções são orações, conversas com Deus? Já ouviu, pra citar um clássico da música gospel, “Como Zaquel” de Regis Danese?

Se você tem algo a dizer, pra pedir, pra esclarecer com alguém em especial, ponha no papel. Saber seu destinatário te ajuda a decidir a linguagem, o tom do discurso. Se o destinatário é uma criança, por exemplo, adeque sua linguagem.

Estrelinha, o novo sucesso de Di Paullo e Paulino, é um exemplo brilhante do uso dessa técnica. Nessa letra tocante, ao que me parece, um pai ou mãe- que já morreu- conforta seu filho(a). Essa bela composição é de Gabriel Rocha, Luigi, Leandro Visacre e Lucas Carvalho:

“Quando bater a saudade olhe aqui pra cima
Sabe lá no céu aquela estrelinha que eu muitas vezes mostrei pra você?
Hoje é minha morada, a minha casinha
Mesmo que de longe tão pequenininha ela brilha mais toda vez que te vê”

3. Criar um narrador imaginário ou colocar-se no lugar do outro para compor a música.

No caso de Estrelinha, os compositores, além de escolherem um destinatário bem específico para sua mensagem, utilizam outro recurso interessante. Eles criaram um narrador fictício. Apesar da simplicidade da linguagem usada, e talvez também por isso, o ouvinte invariavelmente se emociona quando percebe que quem “canta” já não está mais entre nós.

Outro exemplo: Já ouviu Quatro patas de Alex Fava? Expoente do chamado Sertanejo Social, o compositor e intérprete escreve na voz, nesse caso, de um cachorro abandonado. Fava, inclusive, usa o mesmo recurso em “Vô”:

“A memória anda fraca mas não esqueci do dia
Em que você me abandonou aqui
Por favor atenda esse pedido meu
Traz aqui meu neto, o vovô não morreu”

Alex Fava

Vou ficando por aqui…você deve ter ideias esperando para serem escritas. Caso se lembre de outras letras que exemplifiquem as técnicas acima, compartilhe conosco. Sucesso!

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