Duas dicas para compor mais e melhor

Seu sonho é compor um hit que emocione, divirta as pessoas e que, de quebra, te deixe rico? Você já se deu conta de que, para chegar a esse hit é preciso compor muitas e muitas músicas nem tão boas assim? Neste post separamos duas dicas pra compor mais e melhor que, se você já não conhecia, podem fazer toda a diferença no seu processo criativo e na sua carreira.

Muitos compositores gostariam de viver de suas criações. Todos que já o fazem ( e é importante frizar: TODOS) começaram como amadores. Ninguém compos sua primeira letra ou melodia sob encomenda, certo? Muitas horas foram investidas na criação de muita coisa que não agradou mas que serviu de experimento,  composições que serviram de degraus para as “boas”. Neste post daremos duas dicas para compor mais e melhor.

Nesse ramo da arte, persistência é tão importante quanto inspiração

“Ah…acho que vou desistir disso…não escrevo nada bom!” Já pensou assim? Pois tenho algo pra te contar: Se você tem ou não talento pra compor, não é você quem vai dizer! Se o seu desejo de escrever, cantar ou tocar te levou a ficar horas debruçado sobre um caderno ou um violão fazendo e refazendo rimas e refrões, então não tem mais volta: você é compositor. Agora cabe a você aceitar essa sina e dedicar-se ao máximo a sua arte.

Cada artista tem seu processo. Tem gente que fica dias sem escrever nada e de repente explode de tanta rima nova. No entanto, para a grande maioria, a inspiração anda juntinho com o suor, com o trabalho duro. A inspiração também vem através de outros artistas, de meios diversos como livros, filmes e entrevistas. A inspiração vem de uma palavra, de uma cena, de uma figura de linguagem na composição de um colega.

Persistir é preciso mas armar-se de boas ferramentas é essencial. Aqui temos algumas dicas que podem te ajudar.

Primeira dica: Num primeiro momento, vale tudo!

Uma vez pronto, muita gente vai julgar seu trabalho. Portanto, não se antecipe : o primeiro momento da criação é de total liberdade! Livre de julgamentos, de criticismo e de obstáculos. Ponha no papel o que vier na cabeça. Para alguns, colar uma cartolina ou papel ofício na parede funciona bem. Vale desenho, vale citação de alguém que te marcou, passagem da Bíblia ou frase de efeito. Nesse primeiro momento, você está descobrindo que mensagem quer passar pro mundo.

No caso de estar compondo uma melodia, tenha o celular ou um gravador no “REC” (recording = gravando) o tempo todo.

Segunda dica: Inventar palavra, vale!

Nem o dicionário te limita nesse primeiro momento de criação. Se vier na cabeça uma palavra nova que traduz exatamente o que você quer dizer mas que não tem no Aurélio, maravilha! Crie seu verbo novo, seu adjetivo ou re-signifique uma palavra que já existe. Sobre esse processo, escreveu Manuel Bandeira em  1947:

Beijo pouco, falo menos ainda
Mas, invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar
Intransitivo; Teadoro, Teodora

Manuel Bandeira BANDEIRA, M., Meus poemas preferidos, São Paulo: Ediouro, 2002.

Não é lindíssimo isso? O Neologismo  é uma ferramenta poderosa para compositores. Ele simplifica, enriquece o texto e liberta quem escreve. Criar novas palavras ou dar novo significado a termos já existentes é um artifício muito usado na música brasileira.

De Caetano Veloso veio “sexsonhar (ter sonhos eróticos) e abraçaço (abraço forte e abrangente), de Gilberto Gil “parabolicamará” ( antena amiga ) e “minimistérios” (que o Google insiste em corrigir para ministérios mas que quer dizer  misteriozinhos).

Já pra não precisarem ser explícitos ou correrem o risco de ofender, Os Aviôes do Forró resignificaram o verbo “enfincar”, Gustavo Lima fez o “Tchê tchererê tchê thê” e João Neto e Frederico criaram a expressão  “fazer o lê lê lê” (entre muitos outros!). Esses últimos lançaram o hit Lê lê lê que emplacou como parte da trilha sonora da novela global “Cheias de charme”.

Em outro exemplo, o termo “Rebolation” foi criado pela banda soteropolitana Parangolé que, em 2010, ganhou o Troféu Dodô & Osmar na categoria Melhor Música . O próprio nome da banda vem de uma gíria baiana ( gírias costumam ser neologismos) que se refere a uma movimentação ou aglomeração de pessoas fazendo música (um parangolé).

 

Barulho vira palavra?

Ainda mais comuns que neologismos na música brasileira são as palavras criadas através de um som, de um barulho, as onomatopéias. Muitos compositores brasileiros transformam em palavras os sons de instrumentos musicais, por exemplo. Em Pampamramrampampam de Edcity, em “Tchubirabiron”  da banda Parangolé (olha eles aí de novo) e  em Shimbalauê de Maria Gadu essa figura de linguagem é a grande estrela.

Estas são só duas dicas que, espero, sirvam pra te fazer sentir mais livre na hora de compor! Quem começa o processo criativo preocupado(a) com soar como o fulano ou ciclano, falar dos mesmos temas que o famoso X ou Y acaba caindo numa armadilha perigosa e não saindo do lugar. Seja único, deixe fluir e não pare de trabalhar. Se seu objetivo é um produto final  honesto, que passe uma mensagem ou conte uma história significativa pra você, então vale a pena o esforço.

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