Bruno Caliman: dicas de um compositor doce, doce, doce

Foto de Bruno Caliman segurando um violão
Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Ouvindo o podcast Sobre Canções de Jéf Souza, episódio com o Bruno Caliman, me peguei encantada com a humildade e o carisma do moço. Esse compositor baiano, apesar do grande sucesso, transmite uma tranquilidade e uma modéstia ímpares.

Casado e pai de três filhos, Caliman começou vendendo jingles pelo interior da Bahia, Espírito Santo e norte de Minas, indo de loja em loja, criando um jingle para cada estabelecimento e depois oferecendo aos donos. Voltava pra casa com um bolo de cheques, uns de 100 reais, uns de menos, uns de mais.

Foi daí que um belo dia, sua esposa, vendo sua luta, sugeriu que ele fizesse música “de verdade”. Ele parou, pensou e desenterrou um jingle que ele não só havia criado como também cantado na frente da loja por horas, dez anos antes. Agora é tudo em doze, doze, doze, doze, doze… te lembra alguma coisa?  Camaro Amarelo, o hit que catapultou Caiman pro sucesso, surgiu de um jingle pra uma loja de interior.

Dicas de Bruno Caliman para o compositor

A história de Bruno é inspiradora. No mundo da música nada é certo e, por isso mesmo, tudo é possível! Quantos jingles não foram necessários para que ele  criasse confiança pra se arriscar no mundo da música?

No decorrer da entrevista, Caliman nos conta como é seu processo criativo e, de quebra, dá dicas para compor mais e melhor.

Uma dessas dicas é de sempre escrever no papel, evitando usar o bloco de notas do computador. Dessa forma, nada se perde: um verso que você deletaria pra sempre no computador pode acabar sendo a grande estrela da sua composição alguns minutos mais tarde. Caliman diz que sua casa é cheia de pedaços de papel com idéias que surgiram do nada, e que seus filhos já sabem onde guardar “os papeizinhos do papai”.

Outra dica do compositor do hit Escreve aí ( “é só você fazer assim que eu volto”) é: escreva um roteiro e, só depois, o transforme em música. Isso porque Caliman sonhava em ser roteirista. Ele estudou cinema e acredita que ser um bom contador de histórias é fundamental quando se compôe. Mais dicas sobre isso no nosso post Tres recursos de grandes letristas brasileiros

Uma terceira dica do Bruno Caliman que me chamou a atenção foi: arrisque e seja original. Ele conta, por exemplo, que seu fascínio pelo espaço sideral e por astronomia está presente em muita coisa que faz. Em Domingo de manhã, por exemplo, a expressão “módulo lunar” não agradou de cara. Um dos intérpretes queria inclusive mudá-la mas, graças a ninguém menos que Sorocaba, a expressão seguiu na letra.

No final, dá tudo certo

Dicas a parte, Bruno nos deixa com a sensação de que compor é um pouco brincadeira, um pouco obsessão. Um trabalho ininterrupto que toma tempo e que se alimenta de tudo o que acontece na sua vida. Muito trabalho envolvido, muita entrega e perseverança também estão no mix. Mas que, depois de muito trabalho mental, é só fazer assim “clic” que um hit vem.

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